Parodiar sonetos famosos é, a meu ver, uma tarefa mais árdua do que compor o soneto em si. Ainda assim, nas imitações da celebrada obra de Raimundo Correia, creio tratar-se de homenagens. Nada mais merecido.
OS VOTOS
Vai-se a primeira votação passada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De votos vão-se da Assembléia, apenas
A sessão começou da bordoada!
Sopra sobre Ele a rígida nortada...
Que saudades das épocas serenas
Em que Ele e os outros, aparando as penas,
Tinham apurações de cambulhada!
O seu bom-senso todos apregoam...
Afastando-se d'Ele, os votos voam,
Como voam as pombas dos pombais...
As esperanças o seu vôo soltam...
E Ele vê que aos pombais as pombas voltam,
Mas esses votos não lhe voltam mais!
Ângelo Bitu (pseudônimo coletivo de Bilac, Alberto de Oliveira e
Pedro Tavares Júnior)
Vai a primiéra pombigna dispertada,
I maise otra vai disposa da primiéra;
I otra maise, i maise otra, i assi dista maniera,
Vai s'imbora tutta pombarada.
Pássano fóra o dí i a tardi intêra,
Catáno as formiguigna ingoppa a strada;
Ma quano vê a notte indisgraziada,
Vorta tuttos in bandos, in filêra.
Assi tambê o Cicero avua,
Sobí nu spaço, molto alê da lua,
Fica piqueno uguali d'un sabiá.
Ma tuttos dia avua, allegre, os pombo!...
Inveis chi o Muque, desdi aquilio tombo,
Nunga maise quiz sabe di avuá.
Uma coroa de sonetos em forma de flor eu descobri sem querer ao abrir um livro da prateleira ao acaso, à procura de algo novo para por no sítio...
8 ANOS DE SONETOS