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HISTÓRIAS SOBRE SONETOS

O texto a seguir traz um resumo da história do soneto, destacando escritores ingleses e suas obras que marcaram a evolução desta forma poética. Ele foi traduzido a partir de um artigo escrito em inglês por John Stringer.

Então você quer ser um poeta? – Parte 3

Eu deveria recordar o que John Frederick Nims disse sobre as formas fixas em Western Wind: uma introdução à poesia: "o mais famoso – e mais notório – é o soneto, que não possui rival em popularidade. Ele tem sido o favorito de alguns dos melhores poetas – e de alguns dos piores."

(...)

O soneto foi – e de fato é – a forma mais popular de poemas curtos, não apenas em inglês mas essencialmente em todas os idiomas europeus. Acredita-se que esta forma surgiu na Itália; a palavra vem do italiano sonetto, que significa pequeno som, ou pequena canção, de acordo com John Fredeick Nims. Merriam Webster, concordando que ela surgiu na Itália, afirma que o nome provém do antigo provençal sonet que significa canção, ou ar. O Oxford English Dictionary indica uma origem italiana.

Um soneto tem catorze linhas. Em italiano ou inglês, cada uma das linhas possui dez sílabas poéticas. Existem vários modos de organizar as linhas em estrofes e há um número específico de posicionamento de rimas.

Um dos mais conhecidos e antigos sonetistas foi Guido Cavalcanti (1255-1300). Ele deixou cerca de 50 poemas, dois dos quais eram canções, e o restante sonetos e baladas. Eles eram endereçados em sua maioria a duas mulheres, Mandetta e Giovanna, a quem ele chama "Primavera". Amor é o tema predominante, principalmente o amor que causa sofrimento profundo. (...) Esta característica geral de escrever sonetos em série endereçados a um indivíduo persiste até hoje.

Dante Alighieri (1265-1321), em sua primeira coleção de versos, La Vita Nuova, conta que aprendeu sozinho a arte de fazer versos quando ele tinha por volta de dezoito anos, e enviou um de seus primeiros sonetos aos mais famosos poetas de seu tempo, incluindo Cavalcanti. Cavalcanti respondeu e isto foi o início de uma grande amizade.

O nome mais associado aos primeiros desenvolvimentos da forma do soneto na Itália, é claro, é Francesco Petrarca (1304-1374). EM 1326, após a morte de se pai, ele se mudou de Arezzo na Toscana para Avignon. Ali começou o seu singelo amor por uma mulher conhecida como Laura, a quem ele endereçou seus poemas. Ele é lembrado como o fundador do movimento humanista, acreditando na continuidade entre a cultura clássica e a mensagem de Cristo. Em 1337 ele deixou Avignon por Vaucluse, um lugar de retiro, onde ele produziu muito de seus maiores trabalhos. Em setembro de 1340 ele recebeu convites tanto de Paris quanto de Roma para ser coroado como poeta; ele escolheu Roma. (...) A ele é creditada a primeira forma conhecida do soneto: As catorze linhas divididas em duas estrofes, uma oitava com o posicionamento das rimas abbaabba e um sexteto com o posicionamento variável – cdecde, ou cdcdcd, ou cdcdce, ou qualquer outro arranjo, que nunca termina num par de versos. A oitava apresenta o tema ou problema do poema e o sexteto apresenta uma mudança no pensamento ou a resolução do problema. Seu Canzoniere contém 317 sonetos.

Quando estes sonetos foram trazidos para a Inglaterra, junto a outras formas italianas de versos, por Sir Thomas Wyatt (1503-1542) e Henry Howard, conde de Surrey (1517-1547) no século XVI, eles foram modificados para o que hoje é conhecido como a forma Shakesperiana: esta possui três quartetos, cada um com um posicionamento de rimas independente, e termina com um par de versos rimado (abab;cdcd;efef;gg). Mais uma vez, os sonetos geralmente formavam uma uma seqüência de conjuntos independentes mas relacionados de poemas de amor. Um antigo exemplo é a obra Astrophel e Stella (1591) de Sir Philip Sidney. Os próprios 154 sonetos de Shakespeare foram publicados em 1609, embora suas datas de composição sejam desconhecidas.

A outra forma inglesa do soneto é chamada a forma Spenseriana, por causa de Edmund Spenser (1552-1599). Sua obra de mestre foi The Faire Queen, cuja primeira edição foi publicada em 1609. Ele publicou versões inglesas de poemas do poeta francês do século XVI Joachim du Bellay, e de uma versão francesa de um poema de Petrarca em 1569, quando ele entrou no Pembroke Hall da Universidade de Cambridge. (...) Em 1595 ele publicou Amoretti, uma seqüência de sonetos. A forma Spenseriana tem três quartetos e um par rimado ao final, mas o posicionamento das rimas é intercalado: abab;bcbc;cdcd;ee.

(...)

A forma Petrarquiana do soneto continuou a ser usada por poetas ingleses; ela também foi revivida em meados do século XIX, por exemplo por Elizabeth Barrett Browning em Sonnets from the Portuguese (1850) (Isto não significa que os 44 poemas são traduções dos originais em português – "The Portuguese" foi o apelido que Robert Browning deu a ela!). William Wordsworth também empregou esta forma, por exemplo em The World is Too Much with Us, como fez John Keats. (...) John Berryman achou esta uma forma tentadora para escrever os seus 115 sonetos eróticos.

A forma do soneto também penetrou em outros idiomas – francês, onde o verso decassílabo foi substituído por uma linha dodecassílaba, porque ela se encaixava melhor com a linguagem; alemão, polonês e outros idiomas eslavos.

Uma das mais modernas seqüências de sonetos é Die Sonnette an Orpheus (Sonetos a Orfeu) escrita por Rainer Maria Rilke (1875-1926). Este ciclo de 55 poemas foi publicado em 1923. A forma que ele usa é de certa forma diferente. As linhas são decassílabas, mas os poemas consistem de quatro estrofes: dois quartetos e dois tercetos, e o posicionamento das rimas varia: abab;cdcd;eff;gge, ou abba;cddc;efg;gfe, ou abba;cddc;efe;gfg, ou abab;cdcd;eef;ggf. Existem outras variações, porém isto depende do tipo de licença poética que o poeta se permite, sem perder a estrutura disciplinada da forma.

(...)

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