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O texto a seguir traz mais um resumo da história do soneto, relevando a passagem dos sonetos pela França e apresentando os principais expoentes desta forma poética. Ele foi traduzido a partir de um artigo escrito em francês presente no sítio da Universidade de Montreal.

1. Tempo e espaço.

Surgimento. O soneto apareceu na Sicília no século XII na corte de Frederico II de Hohenstaufen, sob a pluma do poeta Giacomo da Lentini.

Fim. O soneto ainda é escrito nos dias atuais. Mesmo após séculos de existência, o soneto não é considerado como um gênero ultrapassado.

Lugar. Durante os dois primeiros séculos que se seguiram ao seu aparecimento, o soneto foi praticado apenas na Itália. Com o Renascimento, ele se expandiu através de uma parte da Europa: França, Espanha, Alemanha e países baixos. Sua expansão geográfica continuou no século XIX no resto da Europa e, um pouco mais tarde, no restante do mundo ocidental.

2. Autores e obras

Cavalcanti (1255-1300), Rimas.
Dante (1265-1321), Vita Nuova.
Petrarca (1304-1374), Il Canzoniere.
Joachim du Bellay (1522-1560), les Regrets.
Pierre de Ronsard (1524-1585), les Amours.
Camões (1524-1580), Poesias.
Góngora (1561-1627), Soledades.
Shakespeare (1564-1616), Sonetos.
John Donne (1573-1631), Holy Sonnets.
Nerval (1808-1855), les Chimères.
Baudelaire, (1821-1867), Les Fleurs du Mal.
Mallarmé (1842-1898), Poesias.
Rimbaud (1854-1891), Poesias.
Rainer Maria Rilke (1875-1926), Die Sonnette an Orpheus.
Wallace Stevens (1879-1955), Poesias completas.
Robert Marteau (1925-), Elegia.

3. Definição e função na sociedade.

O soneto é um poema lírico composto na maioria das vezes de catorze versos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos, obedecendo a regras restritas quanto à disposição das rimas. Sua forma regular, simétrica e restritiva favorece a precisão, a concisão e a sugestão (Baudelaire: "Parce que la forme est contraignante, l'idée jaillit plus intense" – Por causa da forma restritiva, a idéia faz-se mais intensa); ela impede o poeta de ceder às liberdades do lirismo. A rima e o movimento das estrofes permitem jogos de antíteses e de metáforas que exprimem as tensões – a complexidade da vida interior do poeta. O soneto é então caracterizado por uma forte coerência interna. Em outras palavras, ele permite uma concordância perfeita entre forma e conteúdo.

Desde Petrarca, o soneto vem sendo quase sempre prestigiado. Ele constitui sem dúvida o gênero literário mais praticado no Ocidente durante os últimos cinco séculos (estima-se em 45000 o número de sonetos que foram publicados na França, apenas no século XVI).

Muitos dos grandes escritores da literatura universal fizeram sonetos. No entanto, nenhum poeta praticou este gênero literário de uma maneira exclusiva. A extraordinária popularidade do soneto deve-se em parte à sua forma fixa, que faz dele um molde conveniente para poetas sem inspiração. Ele tem sido usado muitas vezes para poemas de ocasião.

O soneto é endereçado a um público restrito, capaz de apreciar as riquezas e as nuances dos versos e da rima; é um gênero nobre. Isso justifica o fato dos sonetistas terem sido formados, durante muito tempo, por poetas da corte e dos castelos (no século XVII, eles eram muito populares nos salões).

O soneto teve grande importância na definição de uma nova poesia na França no Renascimento (com a Plêiade) e especialmente no século XIX. Baudelaire e seus seguidores Verlaine, Mallarmé e Rimbaud re-introduziram na poesia o soneto que o Século das Luzes tinha ofuscado, fazendo-o passar por transformações importantes (deslocamento dos versos e novo posicionamento de rimas) com o objetivo de exprimir uma nova concepção do mundo.

Apesar das variações no posicionamento das rimas e das estrofes, o soneto tem conservado praticamente a mesma forma através dos séculos. Seu conteúdo, no entanto, apresenta uma grande diversidade: o soneto é na maioria das vezes sentimental (é um atestado que exprime o estado do coração de um indivíduo), mas ele pode também ser satírico, político, moral, religioso, realista, burlesco. Dois grandes momentos do soneto: o Renascimento, com os poetas da Plêiade, e o século XIX, de Baudelaire a Mallarmé, depois de aproximadamente dois séculos de relativo eclipse.

4. Origens e posteridade

Origens. Soneto vem do italiano sonneto (diminutivo de som) que quer dizer pequeno som: no princípio, o soneto era cantado ou recitado com um acompanhamento musical. Em sua origem, ele nem sempre teve apenas um conteúdo: amor alegórico e místico. Ele nasceu de uma série de experimentos feitos por poetas italianos sob a influência de vários gêneros literários: a canção dos trovadores, o "casida" e o gazel dos poetas do Oriente Médio, a poesia escandinava dos Vikings, o hino dos monges, o tenzoni dos italianos etc.

Posteridade. O soneto continua a ser usado no século XX por poetas como Louis Aragon e Philippe Jacottet. Em 1992, uma importante coletânea de sonetos foi publicada na França: trata-se da obra Liturgia de Robert Marteau. O fato de se escrever sonetos no fim do século XX é significante. Isso marca uma posição contra os princípios da poesia moderna: ruptura com o passado, ausência de unidade e continuidade etc.

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