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SONETO PARA LEIGOS
Fonte: Writing a Sonnet for Dummies

Aprenda a escrever um soneto em pentâmetro iâmbico [NDT: cinco pares de sílabas poéticas, onde a segunda é sempre mais forte que a primeira], tal qual Shakespeare. Descubra a sonoridade e o posicionamento de rimas dos quartetos e dísticos que fazem parte de um soneto Shakesperiano.

Eis as regras:
  • Ele deve ter 14 versos.
  • Ele deve ser escrito em pentâmetro iâmbico (da-dá-da-dá-da-dá-da-dá-da-dá).
  • Ele deve ser escrito em um dentre os vários posicionamentos de rimas padrões.
Se você deseja escrever o mais familiar tipo de soneto, o Shakesperiano, o posicionamento de rimas é:

A
B
A
B
C
D
C
D
E
F
E
F
G
G

Cada A rima com cada A, cada B rima com cada B, e assim por diante. Você perceberá que este tipo de soneto consiste de três quartetos (isto é, linhas consecutivas de versos que constituem uma estrofe ou divisão de linhas de um poema) e um dístico (duas linhas rimadas consecutivas de versos).

Ah, mas há mais no soneto do que apenas a sua estrutura. O soneto é também um argumento - desenvolvido de certa maneira. E como ele se desenvolve está relacionado com suas metáforas e como isso move de uma metáfora para a próxima. No soneto Shakesperiano, o argumento desenvolve-se da seguinte forma:
  • Primeiro quarteto: Exposição do tema principal e da metáfora principal.
  • Segundo quarteto: Tema e metáfora estendido e complicado; geralmente, é dado algum exemplo imaginativo.
  • Terceiro quarteto: Peripeteia [NDT: não encontrei este termo no Português, mas o significado é o que está entre parênteses] (uma mudança ou conflito), geralmente introduzido por um "mas" (é muito comum ver esta palavra iniciando a nona linha).
  • Dístico: Resume e deixa o leitor com uma imagem conclusiva.
Um dos sonetos mais conhecidos de Shakespeare, Soneto 18, segue este padrão:

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate.
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date.
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimmed;
And every fair from fair sometime declines,
By chance, or nature's changing course, untrimmed;
But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou owest,
Nor shall death brag thou wanderest in his shade,
When in eternal lines to time thou growest.
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.

O argumento do Soneto 18 evolui do seguinte modo:
  • Primeiro quarteto: Shakespeare estabelece o tema comparando "tu" (ou "você") a um dia de verão, e porque fazer isto é uma má ideia. A metáfora é feita para comparar a sua amada ao próprio verão.
  • Segundo quarteto: Shakespeare estende o tema, explicando porque até o sol, que supostamente deveria ser grandioso, às vezes se torna obscuro, e porque tudo o que é belo mais cedo ou mais tarde tem sua beleza diminuída. Ele mudou a metáfora: No primeiro quarteto, era o verão em geral, e agora ele está comparando o sol e qualquer coisa bonita com a sua amada.
  • Terceiro quarteto: Aqui o argumento muda radicalmente com o familiar "Mas". Shakespeare diz que a razão principal por que ele não irá comparar a sua amada com o verão é que o verão termina - mas ela não. Ele refere-se aos dois primeiros quartetos - o "verão eterno" dela nunca desaparecerá, e ela não perderá a posse da beleza que tem. Portanto, ele mantém a metáfora, mas numa direção diferente. E para engrandecer o significado, ele lança uma versão negativa de todo o por do sol em seu poema - a "sombra" da morte, com o que, evidentemente, sua amada não terá que se preocupar.
  • Dístico: Como a sua amada escapará da morte? Na poesia de Shakespeare, que a manterá viva enquanto as pessoas puderem respirar ou ver. Esta declaração ousada encerra inteiramente o argumento - é uma surpresa.
De fato, os sonetos de Shakespeare cumpriram o que prometeram! Consegue ver o quão firmemente este soneto está escrito, como ele é complexo e ainda por cima bem organizado? Tente escrever o seu próprio soneto.

Poetas são atraídos pela graça, concentração, e, sim, a dificuldade enorme dos sonetos. Talvez você nunca escreva um soneto em sua vida, mas este exercício é mais do que apenas uma tarefa complicada. Ele permite o seguinte:
  • Mostra o quanto você consegue compactar em uma forma curta.
  • Permite que você pratique sonoridade, métrica, estrutura, metáfora, e argumento.
  • Conecta você com uma das tradições mais antigas na poesia inglesa - uma que ainda sobrevive hoje em dia.

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