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Martírio dos gatos

Um miado terrivel, horripilante,
O silêncio rasgou na madrugada,
De quem vítima tombou numa emboscada
No estertor do derradeiro instante!

O corpo inerte do felino andante
Jaz agora sem vida na calçada;
Caiu no laço da tocaia armada
Por mão covarde de um ser degradante!

Como rato perverso, às escondidas,
Ele lança veneno nas comidas
E oferece ao bichano em noite escura...

Talvez um dia, porque Deus é justo,
Do gato a dor, no extremado susto,
Em dobro sinta a brutal criatura!

jose riomar de melo

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