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Papel invertido

Em outras eras, que distante vão,
Minha filha, criança no momento,
Ao passar pela rua em movimento,
Segurava tranquila a minha mão;

Mesmo criança tinha bem noção
Que num trânsito confuso, violento,
Ela dispunha de fiel sustento
Que lhe dava carinho e proteção;

Mas o tempo passou num alvoroço,
E aquele jovem e destemido moço
No compasso da vida envelheceu...

E hoje na rua de duplo sentido,
Na mesma cena, papel invertido,
Seguro a mão que ela me ofereceu...

josé riomar de melo

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