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Quem dera no silêncio do teu leito,
Aquietando em minhalma uma esperança,
Existisse por mim vaga lembrança
Num recanto insondável do teu peito!

Quem dera involuntário, contrafeito,
Qual ressono inocente de criança,
Num devaneio, quando a noite avança,
Descobrisses em mim o par perfeito!

Pois se isso acontece, oh vida minha!
Sei que inútil não foi essa entrelinha,
Nessa tênue certeza me amparando...

Posso crer, redimido dos senões,
Que, malgrado em minúsculas proporções,
Inda lembras de mim de vez em quando...

josé riomar de melo

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