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Eu sou

Aquele livro que não foi lançado,
Uma receita que não foi prescrita;
A reportagem que não foi escrita,
O pensamento que não foi citado;

Aquele sonho não concretizado,
Uma verdade que nunca foi dita;
A gravação que não saiu da fita,
Aquele espólio que não foi herdado;

O grito excêntrico na garganta preso,
Resíduo inútil do abdômen obeso,
A busca a perfeição inalcançada...

Polichinelo que a carreira finda
E vez por outra lá distante ainda
Escuta o gargalhar da criançada!

josé riomar de melo

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Soneto de Jose Riomar de Melo

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