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Duas almas

Tu que de longe chegas tão cansada,
Que também pisas em brutal caminho,
A quem a sorte, concedendo espinho,
De seu rebanho te deixa afastada;

Tu que sozinha nunca foste amada,
Deixa contigo dividir meu ninho,
Também, ao longo dessa caminhada,
Não fui amado e vivo tão sozinho;

E amanhã, quando o raiar da aurora
Banhar de novo aquela estrada nua,
Tranquilamente podes ir embora...

Não serei só, nem seguirás sozinha,
Fica comigo uma lembrança tua,
Irá contigo uma lembrança minha!

josé riomar de melo

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