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Só você

Só você, camarada, inda me escuta,
Me oferecendo o seu ombro amigo,
Pra que eu possa falar do meu castigo,
Pra que eu possa contar da minha luta;

Das agruras de ter como inimigo
A missão de manter feroz disputa
Com o destino que, com força bruta,
Vai aos pouquinhos acabar comigo;

Só você, conhecendo meu martírio,
Escuta a insensatez do meu delirio,
No ingrato torpor de um devaneio...

De quem tropeça na sorte tirana
De se perdido ter com uma cigana
Que disfarçada como a Morte veio...

jose riomar de melo

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Soneto de Jose Riomar de Melo

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