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Insônia

Ela vem sorrateira, qual felino,
Vai sentando-se à cama, do meu lado,
E começa a falar desse passado
Numa Ribeira que me viu menino;

Ao ver o entusiasmo repentino
Que me provoca o assunto abordado,
Folga ao sentir-me anestesiado
No devaneio que é quase divino;

Sigo acordado, madrugada adiante,
Embevecido com a tal visitante
Que se despede quando a alva avança...

Sem saber que acalmou meu batimento
No efêmero acalanto de um momento
Do feliz despertar de uma lembrança...

josé riomar de melo

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