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A mesma paz

A Morte envolveu-lhe com seu manto,
E dos desgostos, que foram amiúde,
No rosto pálido, em seu ataúde,
Marcas se viam de quem sofreu tanto!

Pra ela a vida foi madrasta rude!
A sorte sonegou-lhe o acalanto!
Pois tu, ingrato,que ela amava tanto,
Minou-lhe aos poucos a frágil saúde.

No seu triste e sofrido itinerário,
Nas contas gastas do velho rosário
Por ti rezava, num terno contraste...

Pedia a Deus, em seu final de estrada,
Que para ti nunca fosse negada
A mesma paz que dela tu tiraste!

jose riomar de melo

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