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Página virada

Da nossa história tão banalizada,
Algo vazio e sem substância,
Recordo agora com a tolerância
Da indiferença por um quase nada;

Tal como água que agora é passada,
Tua traição e a tua inconstância,
Desaparecem no pó da distância,
Tudo não passa de página virada;

Não me acabrunho, não mais me apavora,
Saber se ficas ou se vais embora,
Se encontrastes a felicidade...

Pois no contraste, que se insinua,
Ontem chorava uma saudade tua,
Hoje lamento não sentir saudade.

jose riomar de melo

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