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O cego

Muitas vezes pensando eu me pego,
Ao tentar descobrir nos dissabores,
Qual seria na vida, se tem cores,
O restrito universo de um cego!

Nesta ignorância a que me apego,
Os sentidos do tato e dos odores
Eu já entendo que são detentores
De maiores reservas, eu não nego!

E no seu altruismo, sem desgosto,
Sem talvez ter noção do próprio rosto,
Dos amigos, da esposa, pela rua...

Ele entende, carente da visão,
Da existência de um Pai da Criação,
Que suprindo tais falhas, Ele atua...

jose riomar de melo

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Soneto de Jose Riomar de Melo

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