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Ato real

Recordo agora certa noite, insone,
Na doce calma de uma madrugada,
Ela gemia, numa ânsia excitada,
E eu escutava pelo telefone!

Os seus gemidos, através do fone,
Me enlouqueciam na trama malvada,
Parece até que ela estava deitada
No doce enlevo de alguém que ressone!

Hoje passado tanto tempo, agora
Ao recordar-me que ela foi embora,
Que dissipou-se nosso virtual...

Vem a certeza sutil, por inteiro,
Que ela nos braços desse caçambeiro
Fez isso tudo num ato real...

jose riomar de melo

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Soneto de Jose Riomar de Melo

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