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Judeu errante

Condenado a não ter uma morada,
Carpindo o peso da imortalidade,
Vagando à esmo por cada cidade,
Ouvindo a voz se tentar a parada;

Tempo lhe sobra nessa caminhada,
Pra que num filme aquela verdade,
Reprise cenas de uma crueldade,
Da covardia que fez na pousada!

Todos lhe olham, poucos sabem a sina
Do peregrino que em cada esquina
Enxuga a lágrima dos castigos seus...

Parar não pode pois escuta a voz
Que lhe cobrando, de maneira atroz,
Diz: - anda, anda, maldito de Deus!

jose riomar de melo

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Soneto de Jose Riomar de Melo

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