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Um soneto

Quis fazer um soneto que falasse
De tudo que vivi, de meus apertos,
Dos muitos erros, dos poucos acertos,
Num verso que de mim algo contasse;

Da ruga que desponta em minha face,
Da lágrima que entristece meus sonetos,
Da dor que para mim não tem consertos,
Do que nunca esperei que desabasse;

Falar dessa ambição pouca,tacanha,
De quem no vai-e-vem do perde-ganha,
Sonhou esse porvir dos mais modestos...

E hoje,ante os escombros de seus sonhos,
Assiste um festival dos mais medonhos,
Nas sobras que ficaram, pobres restos...

jose riomar de melo

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