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Farrapo de vingança

Eu hoje me lembrei, assim de estalo,
No tempo que pra mim agora sobra,
De uma certa pessoa, de uma cobra,
Que picou-me sem dó em São Gonçalo!

Estremeço, não nego, quando falo
Na pessoa que usou de tal manobra,
Cada nervo alterado se desdobra
Na intenção de conter o dito abalo;

Ela vai se lembrar, tenho certeza,
Da traição que,comigo à mesma mesa,
Sem remorso e sem dó ela me fez...

Já não nutro desejos de vingança,
Mas quem sabe exibindo tal lembrança,
Dela um simples farrapo chega a vez...

jose riomar de melo

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