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IPÊ AMARELO

Ontem, galhos desnudos, onde o vento
desferia diabruras musicais.
Esqueleto infeliz, sólio bulhento
de uma chusma chilreante de pardais.

Mas hoje, que milagre, que portento!
De certo são os raios matinais
do sol que num feliz deslumbramento
se fixaram nos galhos fantasmais.

De certo que as estrelas do infinito
estão ali espetadas em rosários,,
são culpadas de quadro tão bonito !

E a árvore - ontem pobre - hoje é um tesouro
exibindo vestidos milionários
e casquinando gargalhadas de ouro.

Lino Vitti

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